- Plano prioriza inclusão socioprodutiva e uso sustentável do bioma Caatinga.
- Cadeias sustentáveis de alto impacto estão contemplados, como a fruticultura irrigada (ESG), o algodão agroecológico, a economia azul (pesca e aquicultura), a cadeia queijeira e a transição energética (eólica, solar e hidrogênio verde)
O Governo do Rio Grande do Norte recebeu da Fundação IDH nesta terça-feira, dia 12 de maio, em Natal, os resultados da parceria técnica voltada à construção do Plano Estratégico de Crescimento Verde do Estado. O documento entregue para a governadora, Fátima Bezerra, consolida uma agenda de desenvolvimento sustentável para todo o estado, articulando geração de renda, conservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social.

Fruto de uma ampla metodologia participativa, liderada em parceria com o SEBRAE-RN, o plano foi estruturado a partir de oficinas, entrevistas e consultas realizadas com representantes do setor produtivo, universidades, organizações sociais, gestores públicos e lideranças territoriais. O diagnóstico mapeou potencialidades econômicas, desafios estruturais e oportunidades estratégicas para os dez territórios potiguares, estabelecendo diretrizes para uma transição econômica resiliente e de baixo carbono.
A proposta está ancorada no conceito PPI – Produção, Proteção e Inclusão – modelo que busca integrar crescimento econômico, preservação ambiental e desenvolvimento social. Na prática, o plano prioriza cadeias produtivas sustentáveis de alto impacto econômico e social, ao mesmo tempo em que fortalece políticas de conservação da Caatinga, uso eficiente da água e recuperação de áreas degradadas.
Entre os principais vetores econômicos contemplados está a fruticultura irrigada sustentável, considerada uma das maiores vocações agroindustriais do estado. O Rio Grande do Norte responde por cerca de 70% da produção nacional de melão, especialmente nas regiões do Vale do Açu, Mossoró-Apodi e Mato Grande.
Outro destaque é a retomada da tradição algodoeira potiguar por meio do fortalecimento do algodão agroecológico e da indústria têxtil consciente. A estratégia apoia sistemas produtivos sem uso de químicos, conectando agricultura familiar, moda sustentável e novos mercados consumidores.
O plano aposta ainda no fortalecimento da pesca marítima, piscicultura e carcinicultura sustentável, impulsionadas também pela estruturação do novo Terminal Pesqueiro de Natal, bem como a valorização da cadeia queijeira potiguar, com foco nos queijos artesanais premium e no leite A2A2 como diferenciais competitivos.
Atividades tradicionais do semiárido, como caprinocultura e ovinocultura, também integram a agenda de crescimento verde, com foco em melhoramento genético, bem-estar animal e agregação de valor à produção de leite e carne.

Foto: Joana Lima ASSECOM RN
Segundo Mona Nóbrega, gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae, além da metodologia participativa, o destaque do plano é o fato de ter considerações específicas para cada um dos 10 territórios do estado. “Esse instrumento técnico serve justamente para embasar ações concretas de desenvolvimento do estado”, comentou.
Outro eixo central do plano é a transição energética, com destaque para os setores eólico, solar e de hidrogênio verde. A proposta busca garantir que os benefícios econômicos da expansão energética sejam compartilhados com os territórios rurais e comunidades tradicionais, promovendo geração distribuída, qualificação profissional e empregos verdes.
Com a iniciativa, o Rio Grande do Norte busca a inclusão socioprodutiva de estabelecimentos de agricultura familiar, com metas específicas para o protagonismo de mulheres rurais e a geração de empregos verdes para jovens.
A governadora Fátima Bezerra ressaltou que a agenda já integra políticas públicas praticadas pela atual gestão, como a inclusão socioprodutiva de estabelecimentos de agricultura familiar. “É um trabalho muito consistente, que reflete a realidade e dialoga com a nossa situação, tanto do ponto de vista do potencial que o Estado tem, quanto dos avanços que já conseguimos e das lacunas que precisamos superar”, disse.
A gerente do Programa Raízes da Caatinga da Fundação IDH no Brasil, Grazielle Cardoso, destaca que o Plano Estratégico de Crescimento Verde estabelece mecanismos de planejamento, governança e financiamento multissetorial, conectando poder público, setor produtivo, universidades e sociedade civil em torno de soluções de desenvolvimento baseadas considerando também a eficiência climática. “Esta parceria com o Governo do Rio Grande do Norte reforça uma estratégia estruturante para o desenvolvimento territorial sustentável do Estado, transformando vocações produtivas locais em oportunidades concretas de inovação, inclusão social e crescimento econômico de longo prazo”, conclui